SALVADOR-INSTRUMENTOS DE UMA TRILHA SONORA

Objetivo:

Produção de um vídeo documentário no formato HDV e finalizado em DVD, retratando toda a dinâmica e os bastidores da fabricação artesanal de instrumentos musicais de percussão na região metropolitana de Salvador. Desdobrando a saga dos artífices da fabricação de instrumentos desde a dificuldade da aquisição da matéria-prima até a sua colocação no mercado consumidor (artistas, instrumentistas, etc), o vídeo apresentará as reais condições de sobrevivência desses artistas/operários.

Justificativa: 

Devido a crescente demanda por instrumentos de percussão em Salvador e a falta de mecanismos capazes de estabelecer equidade na relação produto final x comercialização, tornou-se imperiosa a formatação de projetos de pesquisa, a fim de traçar uma radiografia a respeito das questões que envolvem o setor.  

Nesta perspectiva, o Programa de Pós Graduação Em Desenvolvimento Urbano da Universidade Salvador – UNIFACS, desenvolveu projeto de pesquisa, cuja justificativa guarda estrita consonância com as disposições deste projeto, o que nos faz transcrever na íntegra, com a devida indicação da fonte, de modo a registrar a eficácia do que se pretende.

O estudo da problemática dos produtores de instrumentos musicais e artesãos, objeto de estudo nessa pesquisa, pressupõe um autêntico mergulho no exame das atividades informal e submersa em que estes se encontram inseridos. Enquadram-se na definição de Cacciamali (1989), constituindo  pequenos produtores por conta própria, possuidores do seu instrumento de trabalho, que exercem suas atividades dentro do próprio domicílio, sem registro (CNPJ) e são guiados pelo fluxo de renda.

Numa cidade lúdica como Salvador é grande o consumo de instrumentos musicais, pelos integrantes de bandas profissionais e amadoras, pelos tocadores vinculados ao culto afro, pelo público amador e os turistas que visitam periodicamente a cidade, notadamente os estrangeiros com destaque para os franceses. A preferência recai sobre instrumentos de percussão dado ao predomínio do ritmo africano que é dominante na cidade.

O mercado profissional é suprido por instrumentos fabricados fora do estado, procedentes em sua maior parte da região sudeste e do exterior. Neste caso predominam verdadeiras grifes estabelecidas por marcas que conferem status de qualidade aos seus possuidores.

Segundo os principais estabelecimentos comerciais do setor, ouvidos em pesquisa preliminar,  existem poucas possibilidades de comercializar produtos locais pela absoluta falta de organização dos fabricantes de Salvador. Apenas uma loja adquire no mercado produtor da cidade as baquetas1, numa quantidade média de cem unidades mensais. Admitem, contudo, que se superado este problema e investindo-se em tecnologia será vantajosa a comercialização, notadamente dos instrumentos de percussão.

Com efeito, na mais ampla e irrestrita informalidade, viceja este ativo segmento produtor de instrumentos de percussão que são comercializados no Mercado Modelo e nas lojas do Pelourinho, quando não ocorre o atendimento direto, nas precárias oficinas, das demandas específicas que são formuladas pelos entendidos (músicos, alabês2 , além de intermediários que vendem os produtos no Brasil e no exterior).

A comercialização é efetuada sem qualquer registro contábil ou fiscal e as transações liquidadas em moeda manual.

Estes fabricantes estão dispersos pelos subúrbios da cidade, trabalhando artesanalmente em fabriquetas de fundo de quintal, na maioria das vezes em condições as mais rudimentares possíveis. Os equipamentos utilizados são pouco sofisticados (usuais de carpintaria), muitos fabricados ou adaptados pelos próprios artesãos e as instalações físicas também são extremamente precárias e insalubres. O trabalho é realizado em família, numa tradição que passa de pai para filho. Utilizam como matéria-prima restos de madeira obtida na construção civil (num autêntico mercado de sucata). A pele dos instrumentos é originária do interior do estado, sendo muito utilizado o couro de bode  e de cobra. A cidade de Araci, no semi-árido baiano,  é o ponto de partida de vários fornecedores, sendo que a intermediação é muito grande havendo o caso de existirem três intermediários entre o produtor e o fabricante. O nível de instrução beira o analfabetismo e a propensão associativa é inexistente (no que pouco difere das camadas mais esclarecidas da população). Vêem com profunda desconfiança e ceticismo a possibilidade de receberem algum tipo de ajuda. A Fazenda Garcia, a Baixa do Fiscal, na Liberdade, e Periperi são alguns dos locais onde podem ser localizados estes produtores que também se dispersam ppr outros bairros da  cidade realizando o trabalho em seus domicílios ( fundo de quintal).

Na pesquisa preliminar, que inspirou esta iniciativa,  estudou-se o comportamento dos preços no mercado local dos seguintes produtos fabricados em Salvador:  atabaques, berimbaus, tumbadoras, bongôs, timbaus,  ilubatás e  cuícas.

Os fabricantes são explorados pelos comerciantes e pelos intermediários. Não possuem qualquer noção de custos ou capacidade de manobra para fixar preços. 

Região atendida: SALVADOR

Valor do projeto: R$ 284.343,40

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