Objetivo:
Desde os primeiros momentos da fundação de Brasília, até os dias de hoje, a estrada tem sido o sinônimo da cultura da mobilidade. A compreensão do espaço como uma dimensão da existência será o ponto de partida de uma investigação sobre a formação da memória de Brasília na construção dos espaços sociais do Brasil. Seguindo uma jornada intimista, o espaço e as formas de deslocamento serão entendidos no filme como o seu suporte imagético. O roteiro detém-se nos símbolos do sonho modernista de modo a tratar da influência do traçado monumental de Brasília sobre a psique dos povos do Centro-Oeste. Para alcançar tal atmosfera, a idéia é combinar humor, sátira, ecologia, elementos míticos e uma babel de sotaques, com o intuito de delinear um paradigma cinematográfico ocupado na compreensão da dinâmica de ocupação do Cerrado.
Ao tratar do projeto modernista de Brasília, sob a ótica de um cicloativista, o roteiro pretende trazer à baila a complexidade de interesses e as idiossincrasias de uma sociedade que glorifica o automóvel, dando o tom de uma comédia de erros.
Justificativa:
Busca-se definir uma narrativa que contemple a importância do espaço e da mobilidade, tanto na fase de consolidação da capital da República, quanto na fase de proliferação dos campos de pastagem sobre o Cerrado. Nela a construção do roteiro segue mais pelo ritmo de uma aventura, com evoluções cíclicas que tendem a nos remeter ao funcionamento das mentes dos personagens e às suas dificuldades de se relacionar com o mundo. O protagonista é celebrado como um personagem à deriva, risível, preso a uma vida farsesca, que parece predestinada às intempéries do acaso.
A trama converge para o Cerrado e transforma a Chapada dos Veadeiros num palco de convivência dos personagens. Por sua vez, a mise-em-scène será ambientada ao ar livre porque o roteiro busca as emoções ambíguas do protagonista, em meio a uma perspectiva latino-americana que claramente favorece a pecuária para exportação em detrimento de suas manifestações culturais. O envolvimento do protagonista no sequestro da vaca premiada de seu antagonista é o ápice deste ciclo de eventos.
Através do olhar do ciclista, e de suas percepções psicogeográficas associadas ao fenômeno hidrológico de Águas Emendadas, o roteiro propõe reflexões acerca da consolidação do projeto modernista de Brasília e da maneira como se dá a sociabilidade dos habitantes do Centro-Oeste. Por mais ingênua que pareça, a aversão à sociedade do consumo e o apelo da natureza, que marcam o périplo do protagonista, são decisões ecológicas. Não em termos panfletários, mas no sentido de uma busca estética centrada na concepção de Mario de Andrade para as artes, onde predomina uma ruptura com a estabilidade em proveito da aventura.
Ficha técnica: DIREÇÃO Leonardo Villas Braga DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA André Lavenère CASTING Anelise Pinto PRODUÇÃO EXECUTIVA Carolina Paiva MONTAGEM Frederico Ribeincher SOM DIRETO Pablo Patrick SOUND DESIGNER Ricardo Calaça DIREÇÃO DE ARTE Akira Goton FIGURINO Joana Gates TRILHA SONORA ORIGINAL Marcelo Bratke
Região atendida: DF, GO e TO.
Valor do projeto: 1.245.000,00












