Objetivo:
OBJETIVO GERAL:
Tendo como pano de fundo o “coronelismo”, questionar sobre a ausência de espiritualidade que se instalou no ser humano contemporâneo, levando-o a cometer todo tipo de barbárie, além da “impotência” generalizada perante estes atos hediondos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
I – Realização de um curta metragem de ficção em 35mm utilizando do “Coronelismo” para expôr a questão do autoritarismo e da impunidade. O filme propõe uma reflexão profunda sobre o motivo condutor ao cometimento de atos cruéis de sadismo e barbárie. Uma vez captados os recursos, a produção do espetáculo irá mobilizar profissionais técnicos e artísticos da cidade de Brasília para sua execução, bem como equipe e elenco de apoio na cidade de Pirenópolis/GO.
II – Participação em festivais de cinema no país e exterior.
III – Promover exibições em TVs públicas e educativas.
IV – Regionalização da produção cinematográfica.
V – Divulgação da cultura no interior do país.
Justificativa:
O ano de 1968 é considerado por muitos, como sendo o ano de maior importância na história mundial da luta por mais liberdade e contra a violação dos direitos humanos. Iniciado por estudantes no “Quartier Latin”, em Paris, e logo adquirindo força com a adesão de trabalhadores e demais cidadãos de toda a França, este episódio acaba por desencadear uma série de movimentos de insatisfação popular em vários países do mundo, incluindo no Brasil.
Quarenta anos depois, nos deparamos com um ser humano fragmentado, perdido, sem uma “visão coletiva de mundo”, indiferente a toda sorte de selvageria, cada vez mais freqüente na nossa sociedade contemporânea. Essa ausência de espiritualidade tem produzido uma série de atrocidades que talvez pela freqüência e o distanciamento com que nos chegam através da mídia, acabam subvertidas em meros acontecimentos sob nosso olhar cotidiano. São filhos que matam os pais; pais que torturam e matam os próprios filhos, jovens que se divertem arrastando crianças amarradas em seus automóveis. A vida que perde o valor. A matéria que se sobrepõe ao espírito.
É papel da arte, trazer à tona alguns “fantasmas” que insistem em voltar a ter vida própria para que estes possam ser exorcizados. Um desses fantasmas é o “coronelismo”, que aparece como pano de fundo neste filme, que retrata o dia do aniversário de catorze anos de Tonha, alcunha de Maria Antonieta, uma ex-menina-de-rua de uma pequena cidade do interior do Brasil. Tonha é uma profunda admiradora e conhecedora da história de sua homônima, a austríaca Maria Antonieta que em 1770, também com catorze anos, casou-se com o então delfim e futuro rei da França, Luis XVI. Mas, este entusiasmo acaba por lhe render como presente de aniversário, um espancamento seguido de estupro, obra do filho de um “coroné” fazendeiro da cidade, em parceria com um amigo.
Seu Abadia é uma espécie de “soldado biônico” e “tutor informal” de Tonha por tê-la tirado das ruas. Ele vê sua autoridade desafiada num confronto direto com os estupradores, revelando sua impotência na execução da lei.
Assim, este curta-metragem pretende com este episódio, através de seus personagens, representar metaforicamente três pilares presentes na nossa sociedade atual. Tonha simboliza uma sociedade que tem seus direitos sistematicamente violados; seu Abadia, a inércia desta sociedade em tomar uma atitude contra essa violação e na espinha dorsal, o coronelismo, representando o desumano, a violação dos direitos em si, a ausência total de espiritualidade.
Desta forma, o filme pretende provocar no espectador, uma reflexão profunda sobre tais questões, tão presentes e ao mesmo tempo tão latentes pelo distanciamento midiático.
Ficha técnica: Roteiro e direção: Ignácio Amaral / Direção de Produção: Kátia Oliva / Platô: Érika Persan / Direção de Fotografia: Dani Azul / Direção de Arte: Denise Vieira
Região atendida: Brasília, DF / Pirenópolis, GO
Valor do projeto: R$ 75.526,32












