Objetivo:
Até que ponto uma vivência empresarial ou mesmo uma carreira executiva mescla suas urgências e padrões diferenciais com as vivências das relações humanas?”LARISSA S/A” traz a história dos jovens Larissa e Ricardo, antigos vizinhos e namorados na adolescência, que seguiram carreiras universitárias e profissionais em cidades diferentes; Ricardo foi para Belo Horizonte cursar Engenharia Elétrica na UFMG e Larissa permaneceu em São Paulo para estudar Marketing numa grande faculdade particular. No dia de aniversário de 28 anos de Larissa, eles se reencontram; Ricardo agora é um engenheiro desempregado; Larissa se torna Gerente de Tecnologia da Informação de uma empresa de softwares.
Procurando por recolocação, Ricardo tem em sua vivência uma grande desilusão em sua carreira. Ele realizou quase tudo ao que o mercado condicionou: MBA’s, atualizações, liderou equipes… mas, Ricardo não se encaixa neste discurso pronto e, para tanto, colhe restos de desenganos em sua carreira de engenheiro elétrico.Larissa, pelo contrário, colhe resultados de sua dedicação ao trabalho e de seu esmero em seguir profissionalmente e pessoalmente diversas recomendações do mercado. Ao retornar, Ricardo tem o desejo de reaprender algo que para ele “saiu dos trilhos” e assim tenta reencontrar o sentimento bom, liberto e vívido que compartilhara ao namorar Larissa.No entanto, nada é tão enganoso, pois quando a reencontra, Ricardo sente que não está mais junto a Larissa, mas sim a mulher que repete mântras de vivência executiva e empresarial pela qual, a todo momento, necessita-se de soluções rápidas sob a égide do mercado até para as frustrações de ambos. Diante do afastamento de Ricardo, Larissa se vê numa nova solidão: seu aprendizado executivo não dá conta da frustração do desencontro com o rapaz… desencontrando-se inclusive de seu legado como executiva. No entanto, despojados e zerados entre si, eles se reencontram numa esperança mútua e sinérgica diante de um aprendizado não compreendido ainda… mas vivenciado, como num quente abraço numa fria manhã.O Projeto consiste em:· Produzir e realizar o curta-metragem “LARISSA S/A”.Exibição de “LARISSA S/A” em festivais de curta-metragem, cineclubes e eventos de exibição cinematográfica em praças públicas, escolas, bibliotecas, centros culturais, entre outros.
Objetivos Gerais:
Proporcionar discussão sobre de que forma as relações humanas estão atreladas intrinsecamente a um discurso de mercado.Objetivos Específicos:· Proporcionar discussão sobre modelos de sucesso de nossa classe média brasileira.· Discutir o conceito de “Ócio Criativo”, modelo desenvolvido pelo sociólogo italiano Domenico de Masi.· Proporcionar protagonismo negro no retrato deste exemplo de drama que percorre desejos e frustrações comuns à classe média. Realizar discussões estéticas e discursivas sobre o curta-metragem (Roteiro, Direção, Fotografia, Atuação, entre outros).
Justificativa:
Urgência nos negócios, sensação de esvair o tempo e sua tentativa sôfrega de ordená-lo em pequenas e controladas cotas destinadas as várias pessoas com quem se relaciona cotidianamente e pela vida afora. E o tempo agendado pode ser pronto, escrito ou tabelado, mas não sincero com o sentimento do momento. Logo vem a frustração de não conseguir a alegria na data e hora agendada… então como aproveitar este momento, quais 10 maneiras de ser feliz para estes momentos em que se possa consumir, usar e descartar? O Projeto de Curta Metragem “LARISSA S/A” trata sobre o delicado processo atual de ação empresarial/executiva das relações humanas. Por trás de frases imperativas e urgentes como “ter o diferencial no mercado de trabalho”, “10 maneiras de ser o profissional em ascensão”, “ser criativo para o mercado”, uma nova lógica se sobressai: aprender na vida ou no trabalho se apresenta unicamente como ferramenta de manutenção ou conquista de emprego; o aprendizado não mais estaria relacionado à vivência das relações, com suas congruências e intersecções. Para tanto, esta urgência empresarial atrela padrões vencedores e diferenciais para atitudes pessoais intrínsecas, como o amor, o desejo, entre outros.O curta-metragem “LARISSA S/A” dialoga com conceitos elaborados pelo Sociólogo Domenico de Masi. Dentre vários estudos, De Masi afirma que vivemos em uma sociedade denominada pós-industrial na qual o homem é apenas mais um elemento produtivo, nele e nas suas relações não há distribuição igualitária do poder, do saber ou do trabalho; resta-se assim uma verdadeira obsessão consumista que faz do ser humano um autômato sem tempo para desenvolver-se como um todo. Assim sendo, existe uma aura de medo em se ter pouco tempo, ter poucas coisas a se dispor e também ter poucos relacionamentos… medos em cascata que dialogam com nossas frustrações e como manuais de auto ajuda se validam e se vendem diante deste contexto.”LARISSA S/A” dialoga com os longas-metragem “São Paulo S/A” (1965) de Luís Sérgio Person e com “Eles Não Usam Black-Tie” (1981) de Leon Hirszman. O primeiro lida com o contexto de industrialização da cidade de São Paulo; nele, o mal-estar das hipocrisias envolvidas nesse processo confronta-se com o modelo de sucesso de crescimento econômico na época. O segundo trabalha a atuação permeada de verossimilhança em seus diálogos, proposições e ações. Pelos dois filmes, eu me identifico com o subtexto capaz de perspassar o filme, como no de Person, aliado a verdade do ator em seus momentos de ações sempre atreladas a sentimentos, como no filme de León. Claro que não me proponho a reconstruir tais filmografias, quero sim é evocar sentimentos presentes nestes filmes e em suas referências para embasar e ser sincero com o estilo de cinema pelo qual eu me identifico e proponho este curta-metragem.”LARISSA S/A” deseja ir além de uma aparência tão bem representada pelos belos, espelhados e funcionais edifícios empresariais do bairro Berrini, famoso distrito de escritórios de empresas consideradas “de ponta”. Deseja ir além da fotografia corporativa na qual todos sorriem e demonstram harmonia.
Ficha técnica:
Direção: Renato Candido de Lima; Assistência de Direção: Rogério Nascimento Oliveira; Fotografia Cinematográfica e Editor de Imagem: André Luiz Teixeira Braz; Produção: Valéria Cristina de Oliveira Silva; Direção de Arte: Caroline Cabral Rocha; Técnico de Som Direto e Editor de Som: Eric Ribeiro Christani
Região atendida: Produção do Curta: São Paulo; Exibição do Curta: Brasil (Capitais) e festivais internacionais de curtas.
Valor do projeto: R$ 125.662,00












