Objetivo:
Trata-se da produção, edição e publicação de um livro de arte de 80 páginas, em três idiomas (português, inglês e Francês) intitulado “Retratos das Festas Religiosas e Pagãs na Arte de Julio Paraty” que mostra, por meio do trabalho de um artista plástico local (aproximadamente 50 obras), a cultura das festas populares de Paraty, cidade a caminho de ser reconhecida como patrimônio histórico da humanidade (Estado do Rio de Janeiro). Em complemento, algumas das obras apresentadas no Livro, serão expostas nas cidades de Paraty, Angra, Rio de Janeiro e São Paulo.
RESULTADO ESPERADO
Objetivamos divulgar e promover as festas populares (religiosas e pagãs) sob a ótica da cidade de Paraty para que a cultura local seja valorizada e preservada. Esperamos um trabalho de resgate da memória popular reforçando sua auto-estima.
Pretendemos também colaborar com a preservação e valorização dos costumes populares, partindo do entendimento de que a cultura local funciona como uma bússola e, portanto deve ser entendida como um patrimônio.
Resumindo nas palavras do cineasta Luis Carlos Lacerda “……todas as festas religiosas e pagãs; os eventos da imensa agenda de acontecimentos da cidade; o casario prestes a tornar-se patrimônio da humanidade; os santos e relicários que são também o tesouro dessa terra…… dedicar-se a documentá-lo, para as próximas gerações que nos sucederão e para a eternidade – que é em ultima instância, a verdadeira razão da obra-de-arte ”
Justificativa:
De 1888 até a década de 70, quase um século, Paraty pouco contato teve com outras localidades, o que permitiu a preservação da memória histórica, dos costumes e principalmente a conservação da arquitetura e do calçamento, o que resulta em um modelo cultural extremamente rico e interessante.
Na década de 70, com a construção da Rodovia Rio-Santos, Paraty foi redescoberta e inicia-se o seu quarto ciclo econômico; o turismo (depois do ciclo do ouro, da cana de açúcar e do café).
Hoje, Paraty atrai os olhares do mundo por suas belezas naturais, por sua cultura e diversidade e por um centro histórico que preserva a arquitetura colonial. Estes fatores proporcionam um forte turismo, comércio e o estabelecimento de brasileiros e estrangeiros. Esta mudança em um espaço cronológico de tempo curto fortaleceu economicamente o local, mas culturalmente e socialmente muito se perdeu.
Porém o fato de Paraty ter ficado isolado geográfica e economicamente do resto do país no período de 1870 a 1950, fez com que se preservassem alguns antigos costumes, em especial as comemorações das grandes datas do catolicismo. Durante as festas religiosas, a cidade fica enfeitada com bandeirinhas, as janelas das casas são decoradas com vasos de flores e toalhas coloridas e, as igrejas são ornamentadas com imagens que normalmente ficam guardadas (relicários). Estes cenários que se desenrolam durante as comemorações são os que pretendemos registrar por meio das obras de Julio Paraty, as quais serão fotografadas para o livro.
Independente do sentido religioso, estar em Paraty durante as festas religiosas é presenciar alguns dos mais ricos e tradicionais eventos culturais do país.
- Festa do Divino. Inicia cinqüenta dias após o domingo de Páscoa e tem a duração de dez dias.
- Semana Santa. Inicia quarenta dias após o carnaval. No último domingo acontece a procissão da Ressurreição.
- Festa de São Pedro. Existe desde 1969 e é comemorada no dia 29 de junho, quando se inaugurou a pequena Igreja de São Pedro, na ilha do Araújo.
- Festa de Santa Rita. Ocorre na última semana de julho e dura dez dias.
- Festa de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Celebrada no terceiro domingo de novembro.
- Festa de Nossa Senhora dos Remédios. Realizada no dia 8 de setembro, após uma novena preparatória
- Procissão de Corpus Christi. Ocorre anualmente no mês de maio ou junho, com duração de um dia.
RESGATE HISTÓRICO
A cultura é o fator que dá unidade a uma sociedade permitindo que a reunião dos elementos que a compõem torne-se retrato do meio social. A relação íntima que a cultura estabelece com a geografia, promove universos culturais distintos, pois, cada local, demanda formas específicas de envolvimento com o seu meio, conferindo à cultura, nas suas diferentes concepções, uma espacialidade própria e, conseqüentemente, tornando-a identidade do local onde está presente. Comunica e revela quem realmente somos, posição bastante próxima da cultura como identidade de um local.
No entanto, a preocupação com o que é peculiar, na cultura de cada local merece uma atenção redobrada, pois, como vimos, cultura é identidade e as nossas raízes não podem ser esquecidas. O contrário desta afirmação vai contra qualquer forma de diversidade.
O processo de globalização é acompanhado por um encurtamento das distâncias físicas, facilitando e agilizando o acesso às informações e potencializando uma mudança social. Mas, com a globalização, corremos o risco de um “canibalismo cultural”, e então, muito se perde em matéria de identidade e diversidade.
O cenário atual coloca em pauta, não apenas a preocupação da preservação da identidade cultural de um local e a sua descaracterização, mas, também, a dilapidação dos patrimônios culturais locais, resultante da livre circulação de produtos originários da cultura global.
A importância da valorização da cultura local diante de um mundo globalizado é a preservação da identidade. A perda da identidade cultural pode esvaziar o homem sem motivação para transmitir seus valores.
Região atendida: Brasil
Valor do projeto: R$ 210.430,00












