Objetivo:
A realização de um documentário, média metragem, com duração de 70 minutos, em 35mm, sobre a história de vida de mulheres que vivenciaram a experiência carcerária e passaram pela oficina de teatro e artes plásticas em 1989, dentro do programa resultante da parceria do Ministério da Justiça e Secretaria da Cultura do Estado(CE).
Justificativa:
No final dos anos 80, o Ministério da Justiça, desenvolve para as populações confinadas o Programa “Nimuendaju”. No Ceará, uma parceria com a Secretaria da Cultura do Estado, inclui no Programa os presídios: Aury Moura Costa (feminino) e Instituto Penal Paulo Sarasate (masculino).
No Presídio Feminino, oficinas de artes plásticas e de teatro possibilitaram as presidiárias descobrirem-se “mulheres imaginárias”, percebendo-se para além da visão distorcida e estigmatizada imposta pela condição social e econômica. Para algumas dessas mulheres aflora um lado luminoso, reconhecem-se como “mulheres imaginárias”, mulheres com imaginação, capazes de sonhar, criar e de realizar coisa. Transformam-se em “mulheres imaginárias”, nome proposto para o grupo por uma e aceito pelas demais.
A ação não teve continuidade, e do projeto restou um vídeo. Imagens que falam de sofrimento, de vidas marginais, de sonhos encarcerados e de mentes que se descobrem imaginativas e capazes de criar outras histórias. Por outro lado, a época da realização do primeiro documentário, como agora, 17 anos depois, a mulher atrás das grades ou após um confinamento carcerário, fica marcada para sempre e estigmatizada como ex-presidiária.
Em nosso País a prisão é muito mais prisão para as mulheres, à maioria são mães e o ônus da criação dos filhos recai predominantemente sobre elas. As mulheres são mais abandonadas quando em situação de prisão do que os homens, poucas recebem visita dos seus companheiros. Descobrir o paradeiro das “mulheres imaginárias” e convida-las a narrarem suas histórias, buscando uma identidade imagética do cotidiano destas mulheres, faz parte da nossa busca obstinada de capturar com a maior fidelidade possível, a realidade destas que muitas vezes permanecem sem voz, sem esperança e principalmente sem reflexão.
O poder da arte é transformar, é dar ao caos expressão artística, expor sem impor, fomentar questionamentos a partir da sensibilidade e da ética, dar “graça” ao mundo, dar asas e movimento aos que precisam desenvolver talentos, aflorar consciências. Enfim, conscientizar com a delicadeza de um artista quando sobe ao palco, na firmeza da mão que escreve livros e percorrem milhares de visões, na proeza da inspiração do olhar de quem filma e filtra a realidade, na intenção de recriar um momento, uma época, uma respiração, um olhar e lançá-los no futuro, do particular para o universal, construindo a memória para muitas gerações.
Inspiradas em grandes mestres da linguagem do documentário brasileiro, queremos viabilizar, este projeto de caráter artístico-social, que vem de um longo processo de pesquisa, que teve início em 1989. O documentário “Mulheres Imaginárias”, provavelmente lançará luzes sobre uma questão pouco abordada e por diversas vezes levianamente alvo apenas de especulações de noticiários sensacionalistas. Selar um maior comprometimento com as questões sociais mal resolvidas de nosso País em relação às mulheres presidiárias e dar voz e imagem àquelas que na maioria das vezes são silenciadas, é sem sombra de dúvida contribuir para uma sociedade mais consciente, justa, e mais ativa na busca de soluções.
Ficha técnica: Direção: Lilia Moema e Majô de Castro; Roteiro: Lilia Moema e Eliza Gunther.
Valor do projeto: R$ 402.416,72












